"Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina."
- Cesário Verde, "O Sentimento dum Ocidental"
--------
Poeta do concreto, das quadras simples, Cesário Verde é um dos precursores do modernismo em Portugal. No seu tempo foi ostensivamente ignorado.
O reconhecimento, a admiração, vieram muito depois da morte, aos 31 anos de idade.
“O Sentimento de um Ocidental”, “Nós”, “Num bairro moderno” fazem parte da sua única obra póstuma: “O Livro de Cesário Verde”, uma colectânea dos seus poemas editada depois da sua morte, em 1886.
A genialidade destes poemas é reconhecida quarenta anos depois por Fernando Pessoa que chama “mestre” a Cesário Verde.