«Em Portugal há pouco o costume de os políticos escreverem as suas "memórias". E é pena que assim seja. Porque há factos ou interpretações que só ficam completos, e colocados nos seu verdadeiro lugar, se aqueles que os viveram por dentro, ou que a eles assistiram de perto, contarem como as coisas efectivamente se passaram.
Por isso, há muito que eu tinha decidido escrever as minhas Memórias Políticas. O facto de o fazer agora não significa que tenha decidido encerrar de vez as minhas actividades políticas. Aproveitei uma pausa para escrever.
Redigi este primeiro livro de Memórias porque senti prazer nisso - e só esta razão chegaria. Mas houve uma outra, igualmente importante. Quis o destino que eu presenciasse de perto os últimos anos do Estado Novo e participasse pessoalmente nos primeiros anos do 25 de Abril. E eu sentia que muitas das coisas que então se passaram só eu as poderia contar; outras podiam ser contadas por outras pessoas, mas não me constam que tenham a intenção de o fazer.
Fiquei, assim, fiel depositário de um pequeno tesouro, cheio de factos e vivências que interessam muito fortemente à História de Portugal do século XX.
Estas memórias representam a abertura desse tesouro que faço do seu recheio a todos os meus concidadãos.»
Diogo Freitas do Amaral