O levantamento geral dos povo do Minho na 1ª metade do ano de 1846, a que se tem dado o nome de Revolução do Minho ou da Maria da Fonte, é indiscutivelmente um acontecimento maior na História de Portugal do século XIX.
«Este nosso estudo pretende juntar-se, neste ano de comemorações dos 150 anos da Revolução, às iniciativas realizadas para evocar tal evento, procurando sobretudo indagar os condicionalismos locais que estão na origem da Revolução e por eles, a capacidade de afirmação da autonomia própria dos povos e da identidade e alteridade da província minhota.
A obra intentará abordar aqueles aspectos que nos parecem essenciais a uma mais completa compreensão da Revolução no seu conjunto. Em primeiro lugar, as principais reformas do Liberalismo e sua expressão na Província no Minho. Pelas suas características económicas, sociais, religiosas, corográficas e culturais a Província no Minho apresenta algumas particularidades e especificidades que explicam a relutância e a maior resistência às reformas para fazer estalar uma Revolução?(...)
Um segundo capítulo tratará os caminhos e os agentes da recusa das reformas e da rebelião, designadamente os mecanismos da sua evolução (...). Um terceiro capítulo abordará os meios e os instrumentos postos em marcha pelos poderes políticos para reinstalar a ordem, a lei e a obediência às instituições e seus resultados.»
— Da Introdução