Contém diversos contos e crónicas de José da Silva, o operário que se viria a tornar comunista, onde se reflecte a revolta, desilusão sobre a sua situação, a dos seus companheiros e da sociedade em geral.
«O autor nasceu na cidade dos arcebispos. Desconheceu a idade infantil (...). Orfão de Pai desde a meninice, criou-se ao deus-dará, enquanto sua mãe granjeava o seu pão e o dos irmãos mais novos.
Aos 10 anos iniciou-se numa profissão manual mas, ao chocar-se com o mundo brutal em que entrou viver, alarmou-se. Trabalhava quinze horas por dia e, mesmo assim, passava fome! Pensando no seu triste viver, perguntava: Mas porquê, a trabalhar como um escravo e a passar fome?! A cismar… deu em não se conformar com o mundo que o obrigava a trabalhar mas que não lhe garantia o sustento.
Ligou-se então a outros companheiros que, como ele, eram vítimas da mesma injustiça. Impulsionado pelo espírito de observação de que era dotado, deu-se a indagar dos porquês da separação dos homens em classes, em ricos e pobres, e concluiu que a sociedade em que entrou a viver assentava em bases falsas. Interessou-se pelo Sindicalismo: fundou jornais operários e escreveu neles até à sua extinção. (...)
Muitas das prosas recolhidas neste volume, foram publicadas ao longo do tempo e ilustram a sua reacção aos acontecimentos que mais o impressionaram.»
Da badana lateral