Neste romance Alexandre Herculano alia a capacidade de "invenção", ou ficcional, com o conhecimento da época a reconstituir, revelando um extremo cuidado com cenários e personagens e inserindo-os nas questões políticas e tensões sociais, situações que dominava enquanto historiador.
E assim faz evoluir, em papéis complementares, personagens que têm referentes reais, como Afonso Henriques, mas dando o protagonismo a "heróis" saídos da sua imaginação, como Egas e Dulce.
A acção decorre na Idade Média - matéria ficcional por excelência do romance histórico herculaniano na medida em que é a época em que a diversidade nacional se afirmou plenamente antes da unidade absolutista - e evoca o tempo das lutas pela fundação da nacionalidade opondo Afonso Henriques ao conde Trava, amante da mãe, D. Teresa;
O palco da acção, concentrada em apenas três dias, é o castelo de Guimarães e envolve uma movimentada trama política capaz de exaltar o espírito nacionalista conjugada com um enredo passional onde não faltam paixões exacerbadas que cruzam vingança e entrega numa atmosfera gótica cheia de subterrâneos, fugas, passagens secretas.