Este romance, que ganhou em 1990 o Prémio Ingeborg Bachmann, o mais prestigioso de língua alemã, contém algo de muito especial: uma parte de nós próprios.
Brigit Vanderbeck, que a imprensa alemã comparou com Tchekhov Thomas Bernhard, conseguiu esclarecer em poucas páginas uma questão que quase todos nos pomos, desde crianças: porque é que tem que existir a autoridade paterna?
O carácter coercivo da família feliz, um dos pilares mais sólidos da ideologia burguesa, estremece, e o sonho da família feliz, com as suas ilusões de protecção e de segurança, sofre uma metamorfose brutal, quando um pai, na sua ausência, é submetido a um rigoroso exame.
Mãe e filhos sentam-se à mesa, festivamente arranjada, à frente de uma verdadeira montanha de mexilhões, e aguardam o regresso do pai de uma viagem de negócios. Mas o pai não chega...