Num tempo em aceleração é curioso ler os acontecimentos que o escritor descreve e interpreta. De uma família tradicional, partimos para o mundo colonial e depois chegamos ao cosmopolitismo, de alguém que foi responsável pelos Serviços de Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
E o certo é que a biografia do romancista ajuda-o na faceta de memorialista. As memórias são a matéria-prima da narrativa. A verdade é que a riqueza da obra romanesca, como foi reconhecido pelos melhores críticos, contém uma análise bastante aprofundada dos ambientes, dos actores, das relações complexas e heterogéneas que se vão estabelecendo. Longe de uma leitura idílica da realidade, deparamo-nos com a afirmação e a negação, a ascensão e a queda, a virtude e a culpa.»
(Guilherme Oliveira Martins)