Laura C. é a história de uma vítima: uma mulher alemã cuja vida foi destruída pelo nazismo, pela guerra, pelo destino, afinal.
Tudo começa em Berlim, em plena ascensão do nazismo, com uma cena de rua: um bando de nazis espanca até à morte um velho judeu que vendia doces e bonecos articulados. Laura, de 6 anos, e sua mãe, Susanne, assistem à agressão e quase são nela envolvidas: a criança conservará toda a vida a memória desta imagem de violência, e um boneco ensanguentado, um palhaço de madeira pintada que apanhou na valeta.
A partir deste episódio simbólico, os acontecimentos precipitam-se: um comício nazi no dia em que Hitler subiu ao poder; os primeiros tempos do novo regime; a intensificação das perseguições aos judeus; a descoberta, por Laura, da relação amorosa da mãe com Jacob Biermann, negociante de arte de vanguarda. E surge a primeira grande crise: A Gestapo informa Karl, pai de Laura, que a mulher é amante de um judeu, e Susanne sai de casa e vai viver com Jakob.
A degradação da vida familiar, a coincidir com a violência crescente da vida pública na Alemanha dos anos 30, são-nos apresentadas, na maior parte dos casos, do ponto de vista da criança, vítima de traumatismos sucessivos, a justificar as palavras que, mais tarde, há-de escrever: "A minha infância não passou de um longo terror."»
(Da contracapa)