Os leitores europeus sempre preferiram Dostoiévski e Tolstoi na literatura russa. No entanto, o leitor russo gosta de outro autor, Gogol, que ofusca ambos os autores.
É um egoísta ardente de generosidade, orgulhoso do sonho da reclusão, um impotente que se empurra para a humanidade (...); é um devoto dedicado às generosidades mundanas.
Foi assim que Gogol me olhou. Tentei retratá-lo a partir desta perspectiva.
Ouvi muito a Rússia daquele período dos escritores ao meu redor: uma Rússia fervente. Tanto quanto pude, descrevi os seus amigos, inimigos, salões, resorts de Verão (...).
E de repente percebi que Gogol não é outro senão a figura do monge das suas obras.
- Henri Troyat-