As Crianças Terríveis
Dois irmãos vivem num quarto cuja desordem é inacreditável. Confrontados com a inescapabilidade do real, ambos aprendem a evadir-se, refugiando-se em conjunto no único lugar de onde o regresso não é possível.
Acolhido no ano da sua publicação (1929) como uma obra-prima, As Crianças Terríveis é uma história inesquecível que assinala um dos momentos cimeiros do génio de Jean Cocteau.
Elizabeth tem dezasseis anos, o seu irmão Paul é dois anos mais novo. Ambos vivem num quarto cuja desordem é inacreditável, num pequeno apartamento da rua Montmartre. A mãe, semi-paralisada, jaz no quarto ao lado, planando fora do espaço e do tempo, numa consciência crepuscular, morrerá bruscamente, deixando a casa, como um território de pesadelo, aos dois adolescentes. É desse cenário que, como das não menos dramáticas imposições da vida real, os irmãos aprendem a evadir-se. Até ao dia em que, confrontados da forma mais violenta com a inescapabilidade do real, ambos decidem fugir para mais longe, refugiando-se em conjunto no único lugar de onde o regresso não é possível.
Considerado por muitos um romance próximo do surrealismo, As Crianças Terríveis é, mais do que isso, a descrição da estranha ditadura de uma juventude que o século XX simultaneamente transformou em promessa e maldição.