Angelina, Uma Mulher do Povo na I República
«Morto o rei D. Manuel II, em 1932, Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança de Laredo, considerando-se a única descendente da ala liberal da Casa de Bragança, reaparece para reivindicar o trono português, a que se julga com direito.
Reconhecida pelo pai, mas ardidos os registos na paróquia espanhola onde foi baptizada, durante a Guerra Civil, quem poderia identificá-la como filha bastarda de D. Carlos I? O papa Pio XII, acérrimo defensor da infalibilidade papal, com as suas simpatias políticas bem conhecidas, preferiria talvez Duarte Nuno, descendente de D. Miguel. Salazar também.
De imediato se urdiu a trama: tratava-se de uma impostora.
Promovida, pela República, a dama de companhia da infanta, zelando pelo seu bem-estar até que, menina mas não moça ainda, foi levada para longe da casa de seu pai, só a lavadeira de D. Manuel II, Angelina de Jesus, a poderia identificar com segurança. Desse facto damos aqui notícia.
O presente texto não é um romance nem uma novela. Se de uma crónica se trata, devo-a a Fernão Lopes e à própria Angelina, mulher do povo, que pacientemente foi recolhendo notícias dos Jornais, recortando-as e arquivando-as em cadernos de folhas azuis de vinte e cinco linhas.»
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