São as mesmas personagens que descobrimos em 1964 no seu romance Paixão. E que o acompanharam na sua Tetralogia Lusitana.
A senhora, viúva, Marina, a criada, Piedade, o caseiro, Moisés, o filho mais velho de Marina. Numa grande herdade do Alentejo.
Mas agora estamos em 1974, os ventos mudaram, as vozes da revolta passaram de surdina a primeiro plano.
"Eu próprio - diz Almeida Faria, o autor - fechei-as durante anos à chave no sótão do passado e, julgando que as esquecera, andei por outras paragens. Mas a minha ilusão de esquecê-las era ingénua: porque, na sua persistência, elas é que não se esqueceram de mim, nunca pararam de suspirar, de murmurar, de sussurrar-me os seus anseios e pavores."
Um teatro de vozes, um teatro de sombras nas convulsões da História. Alentejo, 1974.