«Há quatrocentos e sessenta e cinco anos, deixou a Igreja fugir a oportunidade de se reformar de alto a baixo, conforme era expectativa e desiderato da parte mais pura e mais esclarecida da Cristandade.
Com efeito, o Papa Júlio II arriscou-se a convocar, para 1 de Maio de 1512, o V Concílio de Latrão. Porém, quando as sessões deste Concílio terminaram, aquela expectativa viu-se cruelmente desmentida: o reformatio decidido pelo Concílio era, sobretudo, de ordem formal. "Reformavam-se costumes, mas não se reformava a doutrina" (Congar). Entretanto, Martinho Lutero redigia as suas noventa e cinco proposições no mesmo ano em que o Concílio havia de terminar.
Richard Stauffer traça, com A Reforma, um quadro magistral desse tormentoso meio-século da vida da Igreja e das sociedades europeias de então. Contra o reformatio, acabaria por triunfar a Reforma, com todas as profundas consequências que ainda hoje se fazem sentir, nomeadamente na busca incessante de uma unidade perdida.»
(Da contracapa)