«Dá-se o nome de Fronda às várias revoltas da nobreza francesa, durante a menoridade de Luís XIV, contra a centralização do poder real e na defesa das suas prerrogativas feudais.
Económica e politicamente estas revoltas são o último estertor de um feudalismo agonizante. A concentração do poder de decisão política nas mãos do rei, apoiado pela burguesia ascendente, será um facto poucos anos depois, e todas as frondas caem, sem disso se aperceberam plenamente, no absurdo dos movimentos extemporâneos.
É que as Memórias são, sobretudo, literatura. E nesse campo este político derrotado, este cardeal exilado, tem, pela força do seu trabalho, um lugar de primeiro plano entre os seus contemporâneos. Com Molière, Racine, Bousset, La Fontaine, La Rochefoucauld, é um dos grandes vultos da segunda geração do classicismo francês. É também um dos exemplos mais característicos da mentalidade do seu tempo.»
(Da contracapa)