A Autocomplacência da Mimese
Uma Defesa da Poesia, Os Lusíadas e a Vida de Frei Bertolameu dos Mártires
É comum ouvir a acusação de que os poetas e os romancistas dizem mentiras, ao falarem de entidades e personagens inexistentes. Dois dos filósofos que mais violentamente atacaram a LIteratura nesses termos foram Gilbert Ryle e Jeremy Bentham. Através da análise detalhada de textos de Camões, Sir Philip Sidney, Frei Luís de Sousa, Petrarca, Victor Hugo e Cesário Verde, bem como de quadros de Rembrandt e Burne-Jones, este livro procura responder a ambos, mostrando como a verdade dos textos literários depende menos da comparação com a realidade circundante do que de regras de coerência interna.
Uma das teses principais de A Autocomplacência da Mimese é a de que a literatura tem uma predilecção insaciável por falar de si própria – de como constrói imitações verosímeis de estados de coisas, da sua anterioridade a esses mesmos estados de coisas e de como isso depende, em grande medida, da assimilação e reelaboração de textos anteriores – mesmo quando aparenta falar de outros assuntos.»
(Da contracapa)